Histórias de Melf, por Luke Gygax- parte 1
Recentemente usei o personagem “Melf” na minha campanha de Greyhawk. É muito provável que quem jogou D&D alguma vez na vida já deva ter ouvido falar ao menos da “Flecha Ácida de Melf”. Pois bem, Melf era um personagem usado por Luke Gygax, filho de Gary Gygax. Numa conversa via os fóruns da GaryCon a um ano atrás, perguntei para o Luke sobre mais histórias do Melf, e agora venho trazer pra vocês um pouco mais sobre este personagem e consequentemente, sobre a história do D&D.
E sim, essa é mais uma postagem em “partes”
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“Bem, Melf teve um início bem infame. Eu estava jogando uma aventura solo com meu pai em casa-provavelmente 1980. Não sabia na época, mas era Expedition to teh Barrier Peaks [N.T. veja mais aqui]. Fiz um Magic User de 10° nível para aquela aventura e tinha um servo que dei um nome bobo porque era um NPC - Melf [N.T. atribui-se a um “conhecimento popular” que o nome ‘Melf’ veio de ‘Male Elf’, que era a anotação que constaria na ficha do personagem de Luke – ‘M. Elf’].
Infelizmente, meu personagem fora agarrado por robôs de segurança e jogado em uma cela. Este foi o fim de sua carreira, mas Melf conseguiu escapar. Esta experiência amargou minha vontade de aventurar nos Barrier Peaks, então decidi jogar com Melf e explorar o misterioso castelo próximo da Cidade de Greyhawk [N.T. ou seja, o próprio Castle Greyhawk].
(Melf, a direita)Tive vários meses de diversão explorando os primeiros níveis de Greyhawk. Fiquei empacado pagando a taxas o tempo todo para os Elfos, Anões ou Ogre que controlavam as escadas conhecidas para descer além do primeiro nível. Os anões pegavam parte de suas gemas ou ouro, os elfos queriam um item mágico e acredito que o Ogre aceitaria qualquer um destes.
Em uma ocasião eu estava no embaixo no terceiro nível pelo que me lembro e encontrei uma sala com vários wights. Claro, meu pai não me contou que eram wights a princípio, eles pareciam zumbis para mim – o que não era uma grande ameaça para um elfo. Infelizmente foi atingido e creio que tive um nível drenado – o que tenho certeza que significava 1 nível de cada classe porque meu pai era um DM durão e sovina.
Eu estava sozinho e havia esgotado algumas da minhas magias, então sai em apressada retirada. Enquanto corria pelo corredor que dividia uma parede com a sala do wight, uma porta abriu e tive que desviar o ataque de um wight.
Sendo jovem e acreditando que os wights não eram inteligentes o suficiente para operar uma porta secreta, presume que eu havia atingido uma placa de pressão ou algo qie tivesse ativado a porta – um tipo de armadilha para qualquer um que estivesse fugindo dos wights. O Castelo Greyhawk é cheio de truques e armadilhas. Existem passagens inclinadas, teleportes, passagens escorregadias, salas circulares que viram e te levam de volta, poços, e saídas sem fim. Eu estava irritado que aqueles wights imundos haviam drenado um nível, então elaborei um plano para matá-los.
Fui até Greyhawk e contratei quarto homens-de-armas e os equipei com baldes grandes de óleo e tochas. O plano era atingir ambas as portas e encharcar a sala com óleo e queimá-la. Posicionei o pessoal, contei até três e chutei a porta normal e disse aos meus contratados para pisarem onde eu achava que estava a placa de pressão que abria a porta secreta. É claro que não havia nenhuma placa – era uma porta secreta normal que os wights abriram. Fiz uma bela parede de fogo na porta principal e queimei um ou dois wights. O poucos wights restantes saíram da porta secreta e atacaram os homens-de-armas. Consegui matar os wights que restavam e somente um homem-de-armas morreu.
Acredito que derramei água sagrada em seus ferimentos para evitar a transformação em morto-vivo.
É claro que a maioria do tesouro havia sido destruído no fogo e o ouro derretera em escombros com prata e cobre. Então valia muito menos, as garrafas de poção queimara e qualquer pergaminho, tapeçaria valiosa, etc, fora destruída. Mas achei uma espada mágica +2! Era um grande achado para um personagem de nível médio em Greyhawk.”
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Bom, Luke sente-se culpado pela morte do seu henchman, e tenta de tudo para trazê-lo de volta a vida!
Mas isso eu conto na próxima parte


Cara,valeu!Adoro esssas histórias das partidas dos criadores do D&D e seus colegas de mesa!
São no minimo inspiradoras!
Quem diria que assim surgiu o Melf,Male Elf…
A história do nome eu já sabia, mas que ele era originalmente um NPC, e servo, é novidade rsrs. Acho que o Melf ilustra mais ou menos bem aquela máxima: “O tempo que gastamos na confecção da ficha do personagem é inversamente proporcional ao tempo que jogamos com ela.”.
Excelente história. Fico no aguardo de ler o resto da saga de Melf.Mas uma vez, fico impressionado com o estilo de jogo de “tempos passados”: o jogador contratou guerreiros para fazerem seu trabalho sujo. Uma bela cena, e inteligente.