Histórias de Melf, por Luke Gygax – parte 3

Eu, particularmente, acho que preservar a história do D&D é fundamental para nosso hobby. Através de relatos de grandes personalidades do jogo, como Jim Ward, Tim Kask, Rob Kuntz e tantos outros, muito material pode ser preservado e usado para que o jogo não se transforme de maneira a ficar irreconhecível, como ocorre atualmente (vejam que não estou entrando no mérito se o jogo atual é bom ou não, apenas que ele esta longe de ser o que pretendia ser, em sua criação).

Infelizmente, já perdemos alguns grandes nomes como Dave Arneson, Tom Moldvay e Gary Gygax, e acho que é por isso que tenho trazido para o blog traduções de textos interessantes de pessoas importantes para a história do D&D. Sei que não temos a mesma quantidade de “respostas” que outras postagens aqui do blog, mas mesmo assim, sei que estamos atingindo muitos jogadores que cada vez mais se interessam pelo jogo “Old School”.

Bom, sem mais delongas, vamos a mais uma parte das “Histórias de Melf” e com o tempo, pesquisa e respostas dos grandes nomes do RPG, trarei outras histórias para cá.

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Red Wizard escreve:

Por curiosidade, a criação da Flecha Ácida de Melf esta ligada com o título “Melf  da Flecha Verde”? Mentes inquisidoras desejam saber!

Não muito. O conceito de flecha ácida veio depois que Melf foi atingido por um pouco de ácido e tomou dano contínuo que o impediu de lançar magias. Pensei que isso era muito legal então eu queria algo que alcançasse os inimigos e os causassem os mesmos problemas. [N.T. mais tarde, Gary Gygax usaria esta idéia de Luke e aperfeiçoaria, criando a magia que hoje conhecemos como "Flecha Ácida de Melf"]

Melf conseguiu uma flecha +4 enquanto se aventurando em Hommlet e eu achei muito legal – eu deveria ter 10 ou 11[N.T. anos] na época. Por isso, adotei o apelido de “Melf da Flecha Verde” [N.T. Melf of the Green Arrow]. Fiz uma flecha verde em meu símbolo – no meu escudo e anel, etc.

Usei o símbolo da flecha verde até mesmo no primeiro nível da masmorra de Greyhawk quando montei um negócio competitivo com os Elfos, Anões e Ogro que controlavam as escadas já conhecidas para o nível inferior. Tentei até converter o Ogro para o bem – ele era de alinhamento “neutro” e por isso não tentei mata-lo na hora.

O engraçado é que só tentei usar a flecha uma vez – contra Lareth se bem me lembro [N.T. Lareth é o “chefe final” do módulo “T1- Village of Hommlet”]. Derrotei-o, fazendo com que fugisse pela sua vida. Estava sem feitiços e pensei que uma boa flecha acabaria com ele – sim, a vitória era minha. Mas a sorte sendo como ela é (especialmente com minha rolagem de dado), toquei um d20 e deixei-o agir – somente para tirar um 1. Isso mesmo, um 1. Erro automático! A única parte boa é que a flecha passou no teste contra esmagamento e pude reavê-la.

Minhas rolagens ruins de dado são lendárias. Meu personagem de LA [N.T. Lejendary Adventure – 1999, por Gary Gygax] , Strix Tanager, só errarava com 96-100 quando equipado com sua espada mágica. Creio que rolei isso pelo menos duas vezes por seção de jogo!

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ScottyG escreve:

Luke, Melf já conseguiu construir uma fortaleza e juntar um exército?

Não. Como eu já disse antes, meu pai era um sovina quando se tratava de recompensar os jogadores com tesouros e quando consegui juntar algum ouro e gemas, tinha que pagar por treinamento para subir de nível. Eu tinha um desenho de um castelo triangular e uma torre de mago bem alta no centro, mas não cheguei a construí-la enquanto jogava com Melf na campanha de Greyhawk do meu pai. Levariam alguns anos de tempo de jogo para completar e precisava de algum tempo de planejamento para arrumar o local próprio, clamar a terra limpando-a de quaisquer criaturas poderosas, contratando vários trabalhadores para fazer a obra, etc- voc~e já leu algum dos livros de pesquisa de campanha do meu pai? Várias seções de jogo eram consumidas por compras por materiais quando ele estava trabalhando nesse tipo de coisa! Também, meu pai parou de jogar D&D um pouco após 1986 ou algo assim. Joguei uma versão “primitiva/precoce” de Dangerous Journeys [N.T 1992] depois daquela época e então LA [N.T Lejendary Adventure, 1999].

Usei Melf como um NPC em minha própria campanha e claro que ele conseguira construir sua fortaleza.

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Por hora, essas são as informações “por trás dos bastidores” que tenho sobre o Melf. Existiu uma linha de brinquedos do D&D pel LJN em 1982. uma das figuras era Melf, mas ele seria renomeado para “Peralay”

Comparem a figura da cartela com a figura da parte dois desta matéria.

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um super edit de ultima hora:

Luke Gygax me falou, via o forum do GaryCon, que a história de que o nome “Melf” veio de “Male Elf” é BALELA!

O nome veio porque rimava com “elf” e era engraçado/divertido de dizer. Luke tentou editar no Wikipedia mas sua edição fora apagada varias vezes (vai ver nao acreditaram que ele era o dono do Melf, heheh).

“No Melf was named Melf simply because it rhymed with Elf and was fun to say. I tried to edit the wikipedia entry several times a few years ago, but they always deleted my editing. So I gave up. Funny really.”

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Mais: .

17 respostas para “Histórias de Melf, por Luke Gygax – parte 3”

  1. Eu acho indispensáveis esses posts contando a história das campanhas do EGG.

    Essa imagem do Melf lançando a flecha ácida tem no meu adorado Living Greyhawk Gazetteer. Baita livro, baita livro.

  2. Já se imaginaram jogando uma partida narrada por Gary Gygax rs? Deveria ser muito legal.

    Mas por que o vovô Gygax havia parado de jogar D&D em ‘86?

  3. Caramba… de onde você consegue esse material??? Muito bom, é interessante termos acesso a este tipo de informação. Continuem o bom trabalho!

  4. Continue contando histórias assim, elas são bem legais e desempenham o papel que você mencionou!

    Cada vez que vejo coisas assim, percebo que o old-school não está tão vinculado às regras em si, mas sim ao espírito geral do jogo.

    A história do Melf me passa um clima tão legal quanto o Hobbit!

    Força!

  5. @todos: valeu pela força pessoal ^__^ as vezes tenho receio que sou apenas eu q gosto destas historias, mas é legal ver que tem mais gente q curte.

    @CR:acredito ser por ele ter saido da TSR nesse ano. claro,ele continuava a jogar outras coisas, mas creio que ele deu um tempo, ate mesmo para desenvolver produtos proprios. contudo, ja li relatos dele jogando 1ed em eventos .
    .
    @oClérigo: bom, dedico um bom tempo em foruns, e por minha participação, as vezes tenho acesso a pessoas como o Luke e o Tim Kask. na verdade, todos tem acesso a essas pessoas, basta entrar no forum do Dragonsfoot, por exemplo. mas imagino q como deve existir muitos “fan-boys”, é melhor nao sair “atropelando de perguntas”. a convivencia tras a confiança ;)
    .
    @Logan: eu tb, minha mente voa quando leio estas historias. uma das minhas favoritas é da aventura de gary gygax como mordenkainen na Cidade dos Deuses.

  6. ah, Fabiano: qual gazeteer é esse? pode linkar a capa aqui?

  7. @Rafael Beltrame: cara, o objetivo do Vorpal sempre foi e sempre será o de relembrar o passado do D&D, então quem entra aqui espera (e quer) ver esse tipo de postagem. Que venham muitas mais, em especial essa do Gary Gygax como Mordenkainen na Cidade dos Deuses!

    O Living Greyhawk Gazetteer é esse: http://www.rpg.net/reviews/archive/10/10074.phtml

    Eu comprei logo que saiu, hoje é meio difícil de achar.

  8. valeu pelas palavras, fabiano! cara, eu tenho (quer dizer, mais ou menos) esse livro, mas nao recordava desse gravura! valeu pelo toque

  9. É, eu lembro bem das ilustrações do LGG. Elas são todas… péssimas. :P

  10. Valeu pela indicação Rafael! Vou procurar essa aventura! =D

    Força aí! Abraços!

  11. essa aventura é baseada no conto, Logan. é meio “louca”, tipo “sci-fi encontra fantasia medieval”, mas a historia em si é muito boa. foi contada numa Dragon Magazine e recontada em algum forum que nao recordo agora. irei trazer para o Vorpal em breve :D

  12. É interessante que na época do OD&D essa diferença entre fantasia e FC era quase nula, especialmente na campanha do Dave Arneson, que geralmente era um lance meio Caverna do Dragão, com pessoas de hoje teleportadas para um lugar fantástico e tal.

  13. Ei, Rafael, será que você não consegue levantar as histórias por trás da criação de alguns monstros do D&D? Abraços!

  14. FAla CR,blz?
    de alguns eu ja fiz:
    http://www.vorpal.com.br/2010/03/18/os-monstros-da-velha-guarda-%E2%80%93-parte-1/

    http://www.vorpal.com.br/2010/03/27/os-monstros-da-velha-guarda-parte-2/

  15. Ih, é mesmo! Foi mal cara, tinha esquecido.­

  16. É, nesse post o Rafael não pode reclamar da quantidade de “respostas”, hehehe.

  17. [...] hora: leia a verdade por trás do nome de “Melf” no fim editado da postagem “Histórias de Melf,porLuke Gygax – parte 3“Posts aleatóriosLaboratório do necromanteAs versões do D&D parte 2 – [...]

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