Mestrando D&D do nível 1 ao 20
Quando escrevi o post sobre a minha campanha de D&D do nível 1 ao 20, o Youkai X comentou fazendo algumas perguntas bastante interessantes sobre a experiência de mestrar uma campanha tão longa. Considerei respondê-lo em um comentário, mas ele foi ficando maior e maior, até que decidi transformá-lo em um post.
Manter uma campanha rolando por mais de 3 anos é um grande desafio. Para isso é preciso bastante planejamento, desde o início, por parte do DM. Infelizmente, só descobri isso lá pelo nível 8. No começo, eu planejava uma coisa bem simples, do tipo uma aventura independente que durasse 2-3 sessões, e assim por diante. Daí eu decidi usar o plot básico do meu primeiro e-book, o Tyr. Ok, isso não foi problema algum, milagrosamente (e por pura coincidência), o plot básico do Tyr se encaixou como uma luva em Greyhawk. Daí eu pensei: ok, consigo levar isso até o nível 10, o grupo desmascara o Meorn, mata o devil e daí a gente encerra a coisa por aí.
O problema veio quando eu estava dando uma carona para um dos jogadores. Ele me falou “cara, tu vai ter que dar um jeito de colocar o Vecna na história!” Bem, com muito esforço, consegui chegar à idéia de criar os quatro arautos do Vecna (o Meorn seria um deles, o arauto da guerra), imitando os quatro cavaleiros do apocalipse.
Mas eu estava trabalhando demais naquela época e confesso que por uns bons 3 níveis (entre o 13 e o 16, mais ou menos) a qualidade da história afundou bastante, eu não tinha tempo de criar aventuras toda a semana e, ao mesmo tempo, não queria deixar meus jogadores na mão. O bom é que eu consegui fazer com que eles se apegassem aos personagens, ao cenário e à história, fator decisivo para a continuidade da campanha.
Outra coisa que eu aprendi da maneira mais difícil foi o frágil equilíbrio do jogo. Em uma sessão em particular (na verdade a minha sessão favorita de toda a campanha), eu coloquei uma dungeon cheia de enigmas, em que os jogadores ganhavam itens mágicos conforme iam acertando os enigmas. Ora, por óbvio eles ficaram fortes demais, o que me obrigou a pular várias etapas em termos de nível de desafio durante a campanha.
Mas uma coisa que me deixou muito feliz foi o comprometimento do grupo para com a história. Muitas pessoas falam que jogador de D&D é power gamer, só quer saber de itens mágicos e aumentar de poder e blá blá blá. Então, em uma sessão da campanha, Mordenkainen ia presentear cada um dos personagens com uma magia Wish. Ora, um jogador de D&D padrão pediria as coisas mais overpower possíveis, mas a Monica me surpreendeu com o seu pedido. Como eu comentei no outro post, a Maya, personagem da Monica, estava grávida do Vecna, que havia encontrado em uma viagem no tempo. Para derrotar o caveirão, o grupo deveria sacrificar essa criança em um ritual sangrento e horrível. Então o wish da Maya foi de que a Mialee, sua filha, não precisasse ser sacrificada no ritual. Cara, isso foi simplesmente sensacional! Mas isso me causou um problemão: o que iria acontecer no ritual? Foi quando eu tive a idéia de que, após o ritual, Mialee desapareceria e ressurgiria como a nova deusa do Sol em Oerth.
Outro problema que eu tive foi quando o grupo passou do nível 15, pois eles estavam poderosos demais. Equilibrados para o nível deles, mas poderosos demais. No nível 17, eu conduzi aquele que foi o combate mais frustrante para mim. Eu coloquei um beholder, dois mind flayers e 5 trolls (com classe de bárbaro nível 7) para enfrentar o grupo. Bem, o grupo liquidou os monstros sem tomar nem um ponto de dano!
No nível 18 eu criei uma situação muito interessante. Eu coloquei o grupo para subir uma escada em uma zona de antimagia. Só para não deixar a coisa muito vazia, coloquei uns elementais do ar voando por ali. Era um encounter level 1/2 (sim, meio). Resultado: quase um TPK. Os jogadores ficaram simplesmente aterrorizados com os elementais, pensavam em fugir, em desistir do ritual… teve personagem chegando a -3 de HP… um caos! Eu, claro, rio deles até hoje.
Por fim, o grande combate contra o monstro que todo jogador sonha em derrotar: o Tarrasque. Tem um cara que faz miniaturas de D&D por encomenda e eu pedi um Tarrasque especialmente para essa sessão (qualquer dia eu posto uma imagem dele aqui). Foi o melhor combate de toda a campanha. Teve uma hora em que o clérigo, à distância, ficava lançando a magia blade barrier, o que deixou o Tarrasque puto da vida. Perto do Tarrasque estava o druida/shifter, na forma de dragão vermelho (huge). O Tarrasque, irritado com o clérigo, pega o dragão e arremessa ele 60 feet até o clérigo!
Outro grande momento foi quando o Tarrasque foi finalmente derrotado. O Guerreiro do grupo, em uma full round, causou 210 pontos de dano no monstro, levando ele até -193! O Leandro até hoje se gaba desse feito.
Bem, esse foi um behind the screen da minha grande campanha em Greyhawk, com todos os trunfos e falhas que eu tive pelo caminho. Agora é a vez de vocês. Me contem sobre suas campanhas! Em que ponto vocês acertaram em cheio? Em que ponto vocês erraram feio?





Cara, eu queria ter pelo menos assistido essa campanha, deve ter sido incrível pelo que você contou. Eu mesmo alcancei o nível 20 com o meu grupo cerca de dois meses atrás, num sistema próprio criado por mim, que é básicamente uma versão mais cinematográfica e overpower de D&D. Admito que o jogo foi basicamente Roll-Play a campanha inteira, mas ainda assim eu meus companheiros de jogo temos muito orgulho do que fizemos. 3 anos de trabalho, sangue, suor, alguns quase TPK’s e situações de derrota que beiravam a comicidade. Não há gosto melhor do que aquele que você sente ao atingir lvl 20!!
Well done! post muito instrutivo! ^^
Infelizmente não tenho experiências pra dividir; nunca segurei uma campanha por tanto tempo, uma vez que meu maior “erro” foi querer criar histórias, e não enredos “jogáveis”, fica aí a verdade. Mas pretendo tentar ainda este ano uma grande campanha D&D 3.X no meu próprio cenário.
Eu cheguei ao 21° em uma campanha a playtest da 3ed. Eu me diverti muito, pena que o mestre não se divertiu tanto quanto nós jogadores. E ela simplesmente acabou, houve um clímax, mas não o final. Não teve o encerramento que achei que merecia. Como o mestre é ultra-fissurado em old school e low level nossa campanha mais antiga (9 anos) ainda está no 13°, tudo bem que houve um hiato de 1 ou 2 anos sem jogo, mas mesmo assim, acho que poderíamos estar mais à frente. Bom desse tipo de jogo longo em que se avança muito é que sempre há cenas e situações memoráveis para relembrar. =P
Última postagem no blog do Elisa: Coraline – Resenha
Não estão mais à frente porque o jogo começou em AD&D e o avanço era mais lento e os níveis de poder, menores.
Qualquer dia desses eu animo de contar essa famigerada campanha que foi do 1 ao 20 (com divine rank 0 pros players), mesmo eu não gostando muito dela hoje.
Última postagem no blog do Daniel R: Coraline – Resenha
Colorado só sabe viver de passado mesmo.
Vamos jogar caramba!!
Colorado não vive de passado, diferente dos gremistas que hoje são mais surrados do que bêbados em final de festa.
Última postagem no blog do Fabiano: Pôster motivacional da semana!
Entre apanhar na libertadores e apanhar na copa do brasil, fico com a primeira.
Mas o que importa é o RPG. Futebol é coisa zé-povinho.
Quando vamos retomar a campanha?
Cara, acabei de descobrir o seu blog procurando por material através do oráculo (google)
Tenho uma experiência bastante similar, conheci D&D através do meu primo e mostrei para os meus amigos. Como eu era o “mais experiente” sobrou para mim mestrar. Do primeiro ao terceiro nível eu fui pegando o jeito do negócio e a partir do quarto resolvi elaborar melhor a trama, ao invés de manter o velho estilo “matem todos, pilhem tudo”. Não esperava por uma resposta tão positiva dos meus jogadores e lentamente fomos progredindo. Infelizmente a campanha foi interrompida no oitavo nível devido a vestibulares e faculdade, uma parte do grupo foi um para cada canto, outra ficou por aqui mesmo, mas enfim, foi algo que eu curti fazer e com toda certeza faria de novo.
deve ser massa poder criar campanhas enormes,com varias pessoas ou pelomenos poder continuar a sessão anterior.infelizmente meu grupo não tem o comprometimento necessario para isso
Tem algum jeito de prende-los a campanha?
[...] Mestrando D&D do nível 1 ao 20 – Vorpal [...]
Gostei do post, eu mestrei algumas campanhas, mas curto mais é jogar, meu char mais poderoso tem lvl 50 é um clérigo de shares observador cósmico com 10 niveis de bardo, ele também é deus menor usando o livro das divindades. Tenho q admitir que é muito poder e o nosso mestre teve dificuldades epicas pra manter a campanha, tanto que tivemos que enfrentar um exercito com 10 mil monstros e 500 dragoes negros adultos e um dragão primatico, os 500 dragões foram mortos pelo meu clerigo enquanto os 2 guerreiros enfrentavam o dragão prismatico e os 10 mil lutaram contra o mago do grupo, o mago nem era muito de luta. Realmente qdo penso nisso agora, acho assustador e meio fora de mao, mas era quest lvl 47.
Adorei ter lido isso, além do texto bem interessante me identifiquei muito com a parte do Tarrasque, conosco foi exatamente a mesma coisa, eu me transformei em Dragão vermelho e tinha guerreiro dando quase 200 pontos de dano por rodada no pobre Tarrasque. 3.5 não ficou um jogo do mais equilibrados … mas ainda assim nos rendeu belos momentos…