Out of the pit
Eu vivo falando mal da 4E, mas na verdade eu vou ser eternamente grato a ela. Foi graças à grande decepção que ela me causou que eu tive a oportunidade de redescobrir o RPG.
Tá, não é novidade pra ninguém isso, muito menos a inclinação old school do Vorpal.
Mas isso me fez pegar uns livros que estavam já há algum tempo esquecidos na minha prateleira: o jogo Dungeoneer, criada para ser o RPG da clássica série Aventuras Fantásticas. O livro que mais me chamou a atenção foi o Out of the pit, o livro dos monstros para Dungeoneer.
Vamos pegar como exemplo o monstro Slykk. O bloco de estatísticas do Slyyk fala o seguinte:
Habilidade: 6
Energia: 5
Habitat: Pântanos, cavernas, rios.
Número encontrado: 2-12
Tipo: Monstro
Reação: Hostil
Inteligência: Baixa
E só! O resto é pura descrição e flavour text. No Out of the pit, não faz a menor diferença se o orc está carregando uma espada, uma lança ou um machado. Estatisticamente falando, os monstros são quase todos iguais.
Vamos comparar o Slyyk com o Homem Selvagem das Colinas:
Habilidade: 6
Energia: 5
Habitat: Pântanos, cavernas, rios.
Número encontrado: 1-3
Tipo: Humanóide
Reação: Inamistosa – hostil
Inteligência: Mediana
Quase igual ao Slyyk, certo?
Errado!
Nos jogos antigos, a mecânica era um elemento de importância secundária para o jogo, o que importa, o que diferencia uma criatura da outra é a forma como ela é utilizada no jogo por parte do mestre. Ora, em termos de estatística, a única diferença entre um Slyyk e um Homem Selvagem das Colinas é que o segundo é um pouquinho mais inteligente e não é tão hostil. Mas é na descrição que os monstros realmente se diferenciam. Todos os monstros possuem pelo menos dois parágrafos falando sobre seu comportamento e às vezes uma regrinha específica adicional.
Por exemplo, os Slyyks estão em uma constante guerra interna, por motivos que os povos de fora não conseguem compreender. Essa guerra interna causa um grande prejuízo para a raça como um todo, pois muitas tribos sofrem grandes perdas devido a predadores como Sanguessugas Gigantes e Kokomokoas. Já os Homens Selvagens, que também precisam lidar com predadores, preferem se organizar em tribos, protegendo uns aos outros.
Ora, um bom mestre aproveitaria essas descrições para criar aventuras interessantes envolvendo as características de cada criatura. Por exemplo, poderiam fazer com que um Slyyk se voltasse contra o outro, ou talvez ganhar o respeito de uma facção apresentando cabeças decapitadas de membros da facção rival. A descrição do Slyyk ainda fala que seus líderes são muito vaidosos e exibem orgulhosamente jóias tomadas de aventureiros capturados. Ora, esse é o típico caso de um encontro com monstros que não precisa ser resolvido de forma combativa, trazendo o elemento do roleplay como uma forma de complementação das regras, não como um mundo à parte. Já os Homens Selvagens das Colinas são criaturas inamistosas, que não são facilmente enganadas por aventureiros ardilosos.
Adicionando um terceiro elemento, os Homens de Neanderthal, vemos que eles são extremamente semelhantes com seus parentes, os Homens Selvagens das Colinas, mas também possuem estatísticas parecidas com as dos Slyyk. Entretanto, são diferenciados pela ignorância e pelo fato de serem facilmente impressionados com magias.
Ora, com tantos detalhes interessantes, realmente é importante saber quantos pontos eles têm em observar? Ou que eles possuem um “poder” que permite que eles ataquem e deixem o adversário lento até que um saving throw acabe com esse efeito?
É claro que não. E é essa a riqueza dos RPGs antigos.
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Parem as máquinas! Tá confirmado o relançamento da série Aventuras Fantásticas pela Jambô! Hoje é um dia feliz para todos os companheiros do movimento old school!





Ótimo Artigo Fabiano!
Eu preciso comprar outro Out Of Pit urgentemente. O meu se perdeu no limbo dos livros emprestados!
É isso aí: para mim as melhores regras são aquelas que servem como cápsula invisível para a história. Mesmo com estatísticas praticamente iguais o comportamento e forma de vida são completamente diferentes e não dependem de números.
Quanto ao Aventuras Fantásticas, mal posso esperar! Todo mundo de volta ao calabouço da morte!!!
Old School mais vivo que nunca.
Outra vantagem desses stats mais simples é que fica mais fácil adaptar o montro de outros sistemas.
Aventuras Fantásticas!Adoro essa série,tenho pelo três livros garimpados dos sebos.Quase todo mês viro os sebos da cidade de ponta cabeça atrás um que não tenha lido.
Aaaaahhhh…. aaahhh… aahhh…
Assim eu vou chorar! Os velhos tempos! Cadê o meu Dungeoneer?! Meu Titan?! Meu Out of the Pit?!
Nunca seti tanta saudade dos reinos de Allansia!!!
eu ate’ gosto das regras da 4e, mas nao da’ pra discutir que as descricoes sao muito ruins, ate quando comparadas com a 3e.
Mesmo coisas basicas como racas e classes estao mal descritas. Enquanto a 3e gastava tres paragrafos pra discutir os tipos de fighters em cada raca, a quarta edicao se limita a dizer “fighters sao comuns entre anoes, humanos e dragonborns”…
Cara, eu amo esses jogos. Estou mestrando Dungeoneer atualmente. Infelizmente perdi meu Out of the Pit e não consigo mais encontrá-lo. Se alguém quiser vender um para mim, meu mail é frankhiromi@yahoo.com
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