Gandalf Era Um Mago de 5º Nível! parte 2

Cá estamos de volta, com a segunda parte dessa matéria originalmente publicada na revista The Dragon de 1977. Confesso, correndo o risco de perder pontos de afinidade nerd, que nunca li a trilogia do Senhor dos Anéis, então não tenho muito o que discutir. De maneira geral, concordo com a maioria dos argumentos apresentados aqui, apesar de alguns forçarem as regras ao máximo, para satisfazer o ponto de vista do autor. Vamos ao próximo livro, a Sociedade do Anel!

————————————————-

Vamos para a Sociedade do Anel:

1)      Seus fogos de artifícios na festa do Bilbo: mais uma vez, assumindo que eram magia, o que não precisa ser verdade, seria uma variação de Phantasmal Force, Pyrotechnics, etc. Nada além do segundo nível.

2)      Lightning Bolt na batalha contra o Nazgul. Terceiro level. (tudo bem, se vocês desejam que o domar do Shadow-fax seja mágico, esta bem. Depois do episódio nos portões de Moria, não existe razão para que Gandalf não pudesse falar Eqüino, mas uma magia “Charm Animal” [Encantar Animais] seria mais fácil que um Charm Person [Encantar Pessoa] de qualquer maneira)

3)      Adicionar guerreiros à espuma do rio que sobrepujou os Nazgul. Phantsmal Force, talvez uma variante de Monster Summoning I (já que não temos nenhuma dica quanto ao nível destes guerreiros).

4)      Acender um fogo no meio de uma tempestade de neve. Um toque de Fireball [Bola de Fogo] ou até Produce Flame. (Notem aqui que Gandalf revela que até mesmo essa simples magia pode ser detectada de uma distância tão longa. Isso mostra a “fraqueza” mágica da Terra Média de Tolkien. “Ah há”, você diz, “já vi onde você está errado!”. Espere um pouco, voltarei a esse ponto mais tarde. Continuando:

5)      As chamas quando lutando contra os Wargs. Uma variante de Fireball, 3º nível.

6)      Lightning no caminho de Moria. 1º nível

7)      Lutar contra o Balrog. Na sua descrição da batalha, me parece que ele usou somente, ou na maioria, Lightning Bolts, com talvez algumas Fireballs se você for generoso. Ainda assim, apenas terceiro nível. [N.T. bom, se ele lançou mais de uma magia de 3 nivel, ele já não é mais um mago de 5º nível, né? A menos que tenha algum Ring of Wizardry, ou algo do gênero]

8)      Ser ressuscitado. Mas isso não é feito por Gandalf, ele foi “mandado de volta”, e portanto não tem nada a ver com o fato em si.

Nas Duas Torres:

1)      A combustão em chamas da flecha de Legolas. Uma Fireball suave, talvez, até mesmo uma forma incomum de Protection from Normal Missiles [Proteção contra Projéteis].

2)      O despertar de Theoden. Uma combinação de Lightning, Light e Darkness. Nada além do 3º nível.

3)      A quebra do cajado de Saruman. Isso pode ter sido o resultado natural de um Istari dizendo aquilo para outro, um leve efeito de Charm Person, ou algo nessa natureza. Nada espetacular, de qualquer maneira, para ir além do terceirto nível de magia.

————————————————————–

Na terceira e última parte, Bill Seligman fala do Retorno do Rei e faz uma conclusão, ainda falando sobre a batalha contra o Balrog e lançando uma questão interessante.

Fiquem ligados!

Mais: .

Gandalf Era um Mago de 5º Nível!- parte 1

Salve, pessoal!

Hoje vou trazer uma matéria muito interessante vinda da remota edição #5 da The Dragon (que depois passaria a ser conhecida como Dragon Magazine), chamada “Gandalf Was Only a Fifht Level Magi-User”, por Bill Seligman, em 1977.

Bom, quero antes de tudo deixar bem claro que meu intuito por trás disso não é desvalorizar a obra de Tolkien ou algo assim, mas mostrar que um mago pode ser impressionante no 5º nível, co contrário do que muitos pensam. Claro, eu também acredito que não era essa a intenção do autor ao escrever, visto que a época era outra e o pensamento dos RPGístas também era outro. Não entrando no mérito de quem se inspirou em quem (Gygax, Tolkien, Fábulas, etc), vamos começar então:

——————————————–

Gandalf era apenas um mago de 5º nível, por Bill Seligman (Thr Dragon, março de 1977)

O que ?? Eu ouço seu grito. Impossível, você grita; Gandalf era pelo menos de nível 30, 40 até mesmo 50!! Afinal, ela era um Istari, e viveu pelo menos 2000 anos! Oh, verdade?, eu respondo. Vamos analisar toda a mágica que ele já fez, e ver o que tinha de tão alto nível nele.

Primeiro, vamos passar pelo Hobbit. EM ordem as magias de Gandalf foram:

1) Fazer anéis de fumaça coloridos e extravagantes e fazê-los voar pela sala. Isso não é mais que uma variação de Pyrotechnics [Pirotecnia], com talvez Phantasmal Force [Força Fantasmagórica] misturada.

2) Enganar os trolls com Ventriloquism [Ventriloquismo], uma magia de primeiro nível.

3) Lightning Bolt [Relâmpago] de seu cajado para matar os orcs que haviam capturado os Anões e Bilbo. Magia de 3º nível.

4)Pyrotechnics para confundir os orcs, para resgatar os Anões e Bilbo. Magia de 2º nível.

5) Lighting [Luz] o caminho para os Anões e Bilbo enquanto dentro das cavernas, com um brilho de seu cajado. Magia de 2º nível.

6) Fazer pinhas pegarem fogo e jogá-las nos Wargs de cima de uma árvore. Uma variação de Fireball [Bola de Fogo], Pyrotechnics e até mesmo a magia de Druida Produce Flame [Produzir Chama]. Não é uma magia mencionada especificamente na lista do D&D, mas mesmo assimnão é tão poderosa.

7) Arremessar Sauron do Dol Gul-dur. Ele fez isso em conjunto com o White Concil, então não conta como esforço de um indivíduo. (Além do mais, como mostrarei mais tarde, Sauron não era, ou não muito mais, do que nível 7 ou 8.)

8 ) Uma combinação de Lightning Bolt ou Light de seu cajado para chamar a atenção do lado “bom” da Battle of Five Armies para permanecerem unidos, como queira. Dependendo do sistema de magia que você estiver usando, você pode mudar esses números em um ou dois níveis, mas até agora Gandalf não mostrou abilidades acima do 5º nível.

———————————————

A matéria continua pessoal! Bill analisa os outros livros da série, comparando as magias de Gandalf com o sistema de D&D. Antes que me apedrejem ou algo assim, quero fazer algumas colocações:

1-     É claro que LOTR não usaria o sistema de D&D, pois este foi criado para que a magia fosse algo de maior acesso.

2-     Não quero desfazer de Gandalf, Tolkien, ou qualquer coisa semelhante : “estou traduzindo um artigo!

3-     Gandalf não precisaria usar todo seu poder, a toda hora. Nada o impediria de usar apenas magias de baixo nível, e isso não eliminaria a possibilidade dele ter muitas “cartas nas mangas”

4-     Enfim, como também já disse antes, acho legal a comparação não pelo certo nível de chacota, mas sim para que os jogadores e mestres vejam como um pouco de imaginação consegue transformar magias simples em algo muito mais espetacular!

Mais: .

Mas e o Old Dragon, como está?

A resposta curta é: bem, obrigado.

O livro está praticamente todo escrito e boa parte dele já revisado. As ilustrações estão praticamente todas prontas (como vocês podem ver, nosso amiguinho shoggoth está aí do lado). Atualmente, nosso ilustrador extraordinário, Diego Madia, está trabalhando em cima da capa que, diga-se de passagem, está muito legal. Nela tem o mago mais irado que já vi, além do Boromir.

Mas vou falar das novidades que irão aparecer no livro, em especial a respeito dos itens mágicos. Acredito que já falei aqui, mas o alinhamento do mago que forjou o item vai ser determinante para a forma como ele funciona. Semelhante ao sistema dos psiônicos (que não irão para o livro, serão lançados em um pdf separado), um mago neutro ou ordeiro cria itens mágicos ordeiros, que são mais limitados, porém mais controlados. Já um mago caótico cria itens caóticos, que, aparentemente são mais poderosos, mas são mais aleatórios ou incontroláveis.

Um bom exemplo de item caótico é a espada do Altamir, a Portadora da Tempestade. É uma espada +2 que, rolando um 20 natural, ela lança a magia relâmpago sobre os inimigos do portador. Mas, se rolar um 1 natural, ocorre uma explosão elétrica ao redor do portador, atingindo todos na área.

Outra coisa é que itens mágicos diferentes possuem funções diferentes. Eu destaco os aneis, que são itens que geram efeitos o tempo inteiro, não sendo ativados ou desativados. E eles são particularmente legais (e desafiadores para os jogadores) porque o portador de um anel adquire, enquanto estiver usando o anel, uma característica do mago que o forjou. Por exemplo, um personagem que estiver usando um anel ordeiro poderá passar a acreditar que a justiça deve ser cumprida a qualquer preço, ou adquirir traços de um tirano, que acredita na dominação dos mais fracos. Já um anel caótico pode fazer com que o seu portador passe a desconsiderar as leis, pois acredita que foram feitas para serem descumpridas, ou pode passar a considerar a misericórdia uma fraqueza e coisas do tipo.

Confesso que estou bem ansioso para ver o livro pronto. Inicialmente, pretendia estar com o livro totalmente escrito até o dia 30 de abril, mas a vida real acabou frustrando nossos planos. Acredito que em algum momento de maio o livro esteja pronto, faltando só a parte de edição e diagramação.

Mais: .

O livro dos seres imaginários

Há muito tempo atrás, eu falei do Heroi de mil faces, um livro que eu considero indispensável para jogadores de RPG, em especial para o mestre. Considero inclusive como o Dungeon Master’s Guide versão literária.

Bom, se o Heroi de mil faces é o Dungeon Master’s Guide, então O livro dos seres imaginários é o Monster Manual.

Compilado pelo escritor argentino Jorge Luis Borges (que, aliás, é sensacional, leiam tudo dele!), O livro dos seres imaginários é uma grande compilação de monstros e criaturas fantásticas.

O livro é pura descrição, mostrando a qualidade da pesquisa feita pelo Borges, chegando ao ponto de ir até as fontes originais de alguns monstros.

Neste livro constam vários conhecidos dos exploradores de dungeon que têm por aí e, em dias em que as descrições se tornam cada vez mais escassas em livros de RPG, O livro dos seres imaginários se mostra valiosíssimo em qualquer prateleira.

A seleção monstruosa é bem eclética, aparecendo conhecidos como o basilisco, bahamut, behemoth, cérbero, elfos, elói e morlocks, fênix, lâmia, lilith, dentre tantos outros.

Ainda no clima monstruoso, destaco uma wiki excelente sobre o assunto, a Monstropedia, que também faz um excelente apanhado dessas criaturas que povoam nossas mesas de jogo.

Mais: , .

A Morte do Amigo

Calma pessoal, nenhum amigo meu morreu.

O título se refere ao episódio 26 de Street Fighter II Victory, aquele anime do SF que passava no SBT e mostrava o Ryu e o Ken ainda bem novinhos. O melhor de tudo, claro, era a Chun Li.

Vamos aproveitar então um assunto recém tratado aqui no vorpal, a morte.

“A Morte do Amigo” (ou AMdA) é um recurso muito interessante a ser usado nas campanhas. Digo desde já “Campanhas” ao invés de “Aventuras”, pelo fato do impacto ser muito maior quando os jogadores estão envolvidos e familiarizados com algum NPC e a história a algum tempo.

Apesar de clichê, alguns recursos utilizados em filmes fazem maravilhas nas campanhas. Eliminar um NPC de certo renome (como Wulfgar de Forgotten Realms, ou Otto de Greyhawk) num momento climático é algo que os jogadores podem comentar pelo resto de suas vidas, se o truque for aplicado no momento certo.

Antes de tudo, é necessário criar um vínculo entre o jogador (ou jogadores) e o NPC. Pode ser um empregador generoso, um tutor poderoso ou uma mulher apaixonada; o importante é que o vínculo afetivo se construa através de alguns jogos, gradualmente e de maneira natural. Para que isto ocorra de maneira mais solidificada, minha sugestão é que o NPC em questão apareça várias vezes nas aventuras, e predominantemente na parte “role” ao invés da parte “play”. Ele mantém suas características pré-determinadas para evitar uma descaracterização do personagem, mas incorpora “trejeitos” que agradem o “jogador alvo”.

AMdA dá um toque especial à campanha, como se fosse um capítulo memorável na saga. Não apenas cria um momento emocionante, como abre portas para evoluir o personagem.

[momento uber nerd]

Lendo hoje a edição 15 da revista Star Wars que sai aqui no Brasil, em uma das histórias Luke Skywalker ainda lembra e lamenta o momento em que perdeu seu tutor, Obi Wan Kenobi. Esta libertação de seu tutor fez com que o personagem sentisse raiva, pesar e frustração, até o momento em que futuramente, ele compreenderá o porquê deste destino e perceberá como o corte deste vínculo acabou sendo benéfico para sua evolução (assim como quando o Camus de Aquário manda o navio da mãe do Cisne pras profundezas do oceano- o intuito era fortalecer ele e destruir a dependência que impedia que alcançasse um poder maior).

[/momento uber nerd]

A Morte do Amigo, portanto, é uma ferramenta clichê (junto com “A Volta dos Que Não Foram”, “Amigos, Amigos, Negócios à Parte” e muitas outras) que tempera uma campanha, enriquecendo-a de maneira agradável à todos. Digo “tempera” pois funciona como um tempero: se usar na dose errada, ou se usar um tempero que não agrada, pode criar resultados “intragáveis”. Contudo, como uma campanha leva várias seções, fica mais fácil de saber o que agrada cada jogador, e assim, o Mestre conseguirá criar junto com os jogadores algo a ser contado em fóruns, blogs, encontros e seções.

Como curiosidade, alguém já sofreu ou aplicou uma AMdA em seus jogos?

Mais: , .